Regiões Vitivinícolas
Como se dividem?
O Alentejo é uma região produtora de vinhos de grande qualidade estando regulamentada a “Denominação de Origem Controlada” DOC – Alentejo, a qual inclui oito sub-regiões.
Cada uma destas sub-regiões tem que respeitar um conjunto de requisitos específicos de produção, entre os quais se incluem os tipos de solos de implantação das vinhas e as castas constituintes do escepamento destas.
As vinhas que não respeitem estes requisitos e que estejam instaladas nos distritos de Portalegre, Évora e Beja, podem produzir um vinho de mesa com indicação geográfica “ Vinho Regional Alentejano”.
Em qualquer dos casos os vinhos estão sujeitos a um elevado controlo de qualidade, que começa desde logo nos produtores e culmina na Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) enquanto entidade reguladora e certificadora da atividade, sendo efetuadas avaliações analíticas e organolépticas aos vinhos produzidos, esta última por uma Câmara de Provadores.
O Alentejo é uma das mais emblemáticas regiões vinícolas de Portugal
Dentro deste vasto território, destacam-se oito regiões com identidades singulares, fruto de diferentes solos, microclimas e influências culturais que dão origem a vinhos de personalidade marcante.

Borba
Reconhecida pela sua longa tradição cooperativa e pela consistência da sua produção, Borba é uma das regiões mais icónicas do Alentejo. Os seus vinhos apresentam-se equilibrados e elegantes, com tintos encorpados e notas de fruta madura e especiarias, e brancos frescos com nuances minerais. O terroir, marcado por solos argilo-calcários, confere uma estrutura firme e uma identidade clássica que tem colocado Borba entre os nomes de referência do vinho português.

Évora
No coração do Alentejo, Évora conjuga a história, a cultura e o vinho de forma harmoniosa. Os vinhos desta sub-região refletem o equilíbrio entre tradição e inovação — brancos aromáticos e vibrantes, tintos redondos e sofisticados, muitas vezes com estágio em barrica. O clima quente e seco é atenuado por brisas suaves que preservam a acidez e realçam a expressão varietal das castas alentejanas.

Granja-Amareleja
Localizada mais a sul, junto à fronteira com Espanha, Granja-Amareleja é conhecida pelos vinhos robustos, intensos e de caráter genuinamente alentejano. O clima extremamente quente e os solos xistosos originam tintos de grande concentração e profundidade, muitas vezes elaborados com métodos tradicionais, incluindo talhas de barro. Estes vinhos são a expressão pura da rusticidade e autenticidade da planície alentejana.

Moura
Com uma tradição vitivinícola ancestral, Moura apresenta vinhos de perfil quente, generoso e sedutor. As temperaturas elevadas e os solos de natureza xistosa e argilosa proporcionam tintos densos e aromáticos, com taninos suaves e notas de fruta preta madura. Os brancos, embora menos frequentes, são intensos e envolventes, refletindo o espírito do sul alentejano.

Portalegre
No extremo norte do Alentejo, junto à Serra de São Mamede, Portalegre distingue-se por um microclima mais fresco e altitudes mais elevadas. Estas condições únicas conferem aos vinhos uma acidez natural mais viva e uma elegância notável. Os tintos são estruturados, com notas de bosque e especiarias, enquanto os brancos revelam frescura, mineralidade e complexidade — um contraponto sofisticado ao calor alentejano.

Reguengos de Monsaraz
Com uma paisagem marcada por vinhas extensas e pela imponência do castelo de Monsaraz, esta sub-região é uma das mais expressivas do Alentejo. Os vinhos de Reguengos são plenos e harmoniosos, com taninos redondos e aromas de fruta madura, cacau e especiarias doces. É uma região que combina tradição e modernidade, sendo casa de alguns dos produtores mais premiados do país.

Redondo
Entre as serras d’Ossa e de Monfurado, Redondo oferece um terroir equilibrado e protegido, ideal para a produção de vinhos de grande consistência e finesse. Os tintos são envolventes e aromáticos, com notas de frutos vermelhos e um toque de madeira subtil; os brancos, delicados e refrescantes. A região alia uma paisagem de rara beleza a um saber-fazer que privilegia o equilíbrio entre natureza e arte enológica.

Vidigueira
Famosa desde tempos romanos, a Vidigueira é berço de vinhos brancos de grande reputação, conhecidos pela sua frescura e elegância. Os solos de natureza xistosa e o microclima mais ameno, influenciado pela Serra do Mendro, favorecem vinhos vibrantes e aromáticos. Também os tintos da Vidigueira revelam uma expressão equilibrada e sedutora, demonstrando a versatilidade desta região de excelência.
Fotos de Borba, Moura, Portalegre, Redondo e Reguengos de Monsaraz da autoria de Vítor Oliveira. Foto de Évora da autoria de Ingo Mehling. Foto da Vidigueira da autoria de Carole Raddato. Ver licença em Wikimedia Commons.
Legislação base – Decreto-lei n.º 265/98 de 19 de Agosto
Exigências gerais
Rendimento Máximo
Vinho Tinto – 55 hl/ha
Vinho Branco – 60 hl/ha
Titulo alcoométrico
Vinho Tinto – 11,5 % Vol.
Vinho Branco – 11,0 % Vol.
Titulo alcoométrico volúmico mínimo
11,0 %
(Tintos, brancos e rosados)
Área Geográfica
Abrange os Distritos de Portalegre, Évora e Beja
Legislação base
Portaria n.º 623/98 de 28 de Agosto e Portaria n.º 394/2001 de 16 de Abril.
